A USP é o reduto de muitas coisas importantes. Suas pesquisas - ainda que com recursos tacanhos - são de grande importãncia para o país. A USP também foi palco de atrocidades do extremismo ditatorial militar, que, aliás, é tudo o que o Brasil menos precisa hoje em dia: o militarismo ineficaz, corrupto, endêmico e gastador que têm-se hoje, Mas isso é outro assunto. Vai ter seu devido tratamento em outra ocasião. O problema hoje é a USP. Mas o que diabos há de errado com a USP? O que há errado com a USP é a esquerda "militante", a tal "ala radical'. E dentro desta, sua pior parte: aquela chamada de 'sindicalista'.
Eu ouvi há um ou dois dias uma entrevista para lá de contundente do reitor da entidade, sr João Grandino Rodas, para o Jornal Gente da Rádio Bandeirantes. Nesta entrevista, Rodas aponta os problemas causados pela falta de policiamento dentro do campus e sua consequente desordem nas gestões sócio-política e patrimonial.
Sempre que a força policial se faz presente no campus, existem os aloprados de plantão, prontos a levantar a bandeira (?) da 'opressão policial à liberdade estudantil'. Algo como 'olha lá, a ditadura está voltando'. Eu não consigo me lembrar de um país sequer que tenha adotado o tal comunismo que não tenha acabado ou em falência econômica ou em ditadura. E, pior do que isso, depois da era militar no Brasil, não me lembro de um presidente ou governante tão afeito a ditadores - como Fidel Castro e Hugo Chaves, Ahmadinejad - como o nosso atual Lulinha.
Mas o problema na USP está longe de ser ideológico. O problema na USP é evidentemente financeiro, onde um grupo sindicalista agressivo, marginal, comandado por ideólogos do caos social, contratam mercenários que atuam contra alunos, professores e civis, expondo-os a situações truculentas, a ameaças e violências diversas em prol de uma vantagem salarial que, ao fim de tudo, vai primeiro engordar a própria contribuição sindical e, segundo, causar pânico em parcela importante da sociedade brasileira - o estudante de nível superior - em ano eleitoral. Assim como os atos de vandalismo que foram tomados pela Apeoesp, assemelham-se os tais sindicalistas que usurpam a USP do estado de direito. A quantidade de assaltos na entidade só cresceu nos últimos anos e a sensação de insegurança e impunidade é o acorde dominante. Em um post de 2009, é mostrado como o movimento sindicalista age na prática.
O fato é que uma cidade como São Paulo, como bem disse Salomão Ésper, não pode abrir mão de um espaço tão amplo e rico como a USP, em detrimento de interesses particulares - questionáveis ou não. O que deve ser frizado aqui é que sindicato, classe, organização ou agremiação alguma pode ser amputada de seu direito de greve ou manifestação popular. Mas a lei por onde essas manifestações são manifestadas, suportadas e garantidas devem ser as mesmas que regerão seus resultados reclamados e conquistados. A USP tem sim a obrigação de ser um local tão livre e salvaguardado pela força do Estado como todos os espaços da cidade de São Paulo o são (ou deveriam ser). O interesse da sociedade brasileira não pode ser subjugado ao de sindicato ou classe qualquer.
Já passou a hora do Governo do Estado de São Paulo retomar, mesmo que à força, o poder sobre a área e sobre o policiamento da região. E garantir que movimentos estudantis ou sindicalistas atuem e manifestem-se dentro da lei e da ordem, garantindo a integridade da instituição e de seus membros, manifestantes e contrários, cada qual com seus direitos políticos e sociais. E não permitir que uma minoria vândala e mercenária arvore-se na tarefa de dizer o que é bom e o que não é para a USP. Essa minoria, interessada em seu próprio umbigo e de seus comparsas políticos, deve ser eximada do ambiente acadêmico, livrando a USP desse peso vulgar a que está sujeita com data e hora marcada, todo ano. Quem vai salvar a USP desse câncer?
Um último dado: 85% do orçamento da USP é gasto com "pessoal". Você leu corretamente: 85%(!!) de todo dinheiro da USP é gasto com funcionários, professores, colaboradores e etc. Nem a mais benevolente universidade no mundo pode sobreviver a isso. Então, das duas uma: ou o bolo é pequeno demais, ou o número de bocas é grande demais. No caso da USP, é a alternativa "c": todas as alternativas estão corretas.