O tema gay ganhou força no cenário político. Que bom! O país precisa mesmo de políticas mais claras sobre o tema. A liberdade individual no que tange à orientação sexual deve ter o mesmo tratamento que a liberdade, garantida por lei, de orientação religiosa. Essa definição legal permite que as vítimas de preconceito possam garantir seus direitos por vias legais. E fazer com que as atrocidades - toda forma de preconceito racial/sexual/religioso/etc. é uma atrocidade - sejam devidamente julgadas e punidas nos termos da lei.
Ponto. Contra isso ninguém com um mínimo de cérebro pode ser contra.
Mas... existe um outro lado da moeda? Existe. Bem, e qual é?
Para entender esse outro lado da moeda é preciso, antes, considerar um ponto importante: o Brasil é uma democracia jovem. Muito jovem. Há muito pouco tempo não existiam nem 1/10 das leis e direitos que temos hoje. E nossa sociedade, claro, era mais atrasada, mais seccionada. Evoluímos? Na minha opinião, sim. Muito. O problema é que não só há muito a melhorar, mas o anseio de melhorar trouxe junto uma ânsia por mudanças, uma vertente de pressões que, sem percebermos, joga a "balança" com força para o outro lado, afastando-se do centro novamente.
Um exemplo disso são as cotas universitárias para negros. Onde irmãos gêmeos tiveram pedidos de cotas
negado para um e aceito para outro. O Estado deveria cuidar para que a formação de base para a população de baixa renda fosse melhor. O tema de cotas não é o tema do post, isso é pra outra hora. Mas mostra que quanto mais se tenta "separar" as pessoas em categorias na sociedade, mais erros são cometidos.
No que tange ao homossexualismo: toda pessoa, ciente, capaz, tem o direito, incontestável e inatacável de adotar a opção sexual que melhor considerar. E aqui defendo e incluo junto o direito do heterossexual também, por que não? Imagine-se a confusão que seria se o homossexualismo tornasse obrigação legal? Portanto, o mesmo direito que tenho eu de ser heterossexual, todo homossexual também o possui de o ser. Mas o convívio humano não dá-se em bolhas herméticas. Nossa sociedade não é feita de mundos particulares. Estamos expostos, constantemente a todas as coisas positivas e negativas, alegrias, tristezas, conquistas, derrotas.
Para que haja uma sustentação social para esse convívio, e não comecemos a matar-nos uns aos outros como bestas feras, é que existe a formação social e familiar. E aí é que está o ponto delicado da questão: quando uma criança (digo de 1 a 10 anos) é exposta a uma família tipicamente homossexual, qual o tipo de formação que ela vai "tender" a ter? Os processos de Édipo e toda uma gama de transformações emocionais dar-se-ão na mesma esfera? Se não, é possível com ajuda de orientadores, psicólogos, minimizar essas consequências? Porque eu, como pai, não gostaria que meu filho(a) fosse forçosamente hetero ou homossexual. Vou deixar essa questão "insolúvel" no momento. É complexa e profunda demais para meus conhecimentos leigos de psicologia.
Agora, saindo da esfera da ultra-complexa formação sexual de crianças, entra o direito dos pais. E aí volta o Estado a cometer o mesmo erro que das cotas universitárias: compensar o desvio do passado com outro exagero no presente. A proibição, por lei, de não-contratar ou o direito de demitir um profissional "do lar" (babás, motoristas, jardineiros, empregada doméstica e por aí vai) por suas convicções sexuais. Ora. Se eu, como pai, penso que ter em casa uma babá - ou similar - que seja homossexual põe em risco os valores que desejo para a formação de meus filhos, isso é válido. Porque, nesse ponto, há que se defender o direito do mais fraco que, nesse caso, é a criança. Da mesma forma que uma mãe, se homossexual, tem todo o direito de exigir e não contratar alguém que diga à sua filha que o homossexualismo "é pecado". Um absurdo, é óbvio.
O Estado deveria olhar, antes da discussão homo/hétero, o que isso vai afetar na cabeça de uma criança que é, sempre, vulnerável. A formação familiar onde a criança está inserida, e isso engloba todas as esferas da educação como orientação sexual, religiosa, cultural, etc etc etc, seja intensamente protegida pelo Estado. Um pai budista tem que ter garantido o direito de ensinar a seus filhos sua fé. Um pai ateu tem que ter garantido o direito de ensinar a seus filhos que Deus não existe. E eu, como cristão, quero ter o direito de ensinar aos meus filhos sobre minha visão particular de Cristo e de meus severos receios no que tange às Igrejas de modo geral (católica inclusa na lista).
Portanto, se eu, dentro de minha casa, flagrar uma pessoa homossexual incentivando o homossexualismo a um filho meu de 9 anos eu vou querer ela longe dali. Da mesma maneira que se eu vir um heterossexual em minha casa incentivando o ódio contra o homossexualismo a um filho meu de 9 anos eu vou querer essa pessoa também longe dali. Se um dia uma filha minha se descobrir homossexual, no seu tempo, naturalmente, vou fazer o que puder para que ela seja feliz. Da mesma forma que faria se ela se descobrisse heterossexual e muçulmana. Depois que a criança começa a "andar a vida com as próprias pernas", é outra história.
Na minha concepção, o direito dos pais de passar para seus filhos os valores que herdaram de família deve ser defendido pelo Estado. Mesmo, até, que imorais. Eu mesmo considero imoral muitas coisas que hoje adolescentes consideram não só "normais" como até "caretas". Mas isso não dá o direto do Estado de imputar julgamento contrário dentro do lar das pessoas. Repetindo: o mesmo direito de uma pessoa heterossexual não querer que seus filhos recebam estímulo para se tornarem homossexuais funciona nos dois sentidos. Uma pessoa homossexual tem o direito de não querer que seus filhos recebam estímulos para se tornarem heterossexuais ou que desenvolvam qualquer forma de ódio/preconceito contra homossexuais.
Antes que se discuta se hetero/homo estão em pé de igualdade no direito civil, no que tange à família, o Estado deveria, primeiro, legislar em prol do mais fraco: a criança. A começar por leis que punam, exemplarmente, toda e qualquer pessoa que instigue a adoção dessa ou daquela orientação sexual, ou que instigue o ódio ao diferente. A criança tem o direito de ter nos pais o norte inicial de sua formação. E, se preciso, quando tornar-se adulto, pedir socorro à lei quando sentir que seu direito de escolha estiver em prejuízo.